12/08/2017 10h48 - Atualizado em 14/08/2017 19h17

SuperRepórter mostra histórias em que paternidade surge de forma não convencional

Em 2009, Marcos e Airton se tornaram pais de dois meninos; e Eliete assumiu a função de mãe e pai

Kathlyn Moreira
Kathlyn Moreira kathlyn.moreira@rdgaucha.com.br

A expectativa pela chegada de um filho é marcada pela ansiedade de um pai. Como cuidar daquele pequeno ser? Aqueles dois olhos curiosos que observam o mundo e que ainda não sabem o que vem pela frente. Como proteger? Como educar? Quem ele vai ser? Será que vai ter as mesmas manias? Será que vai fazer boas escolhas? Na apreensão do cuidado e na vontade de mostrar tudo, os pais se aventuram na experiência, talvez a mais desafiadora de uma vida. A paternidade se manifesta de várias maneiras, inclusive em casos em que não veio de forma convencional.

A Rádio Gaúcha conta a histórias de dois pais e uma "pãe", como são chamadas as mães que recebem a missão dupla. O ano de 2009 foi o marco inicial do nascimento da paternidade para estas três pessoas. Em maio daquele ano, a vida da família de Eliete Ciszak mudou completamente.

Foto: Eliete, que assumiu a função de "pãe" dos filhos Juliana e Ricardo / Arquivo Pessoal

Em uma noite em que conversavam antes de dormir, ela percebeu algo de errado com o marido Carlos Alberto, na época com 49 anos. Ele parou de falar e não deu tempo de fazer nada. Foi um ataque fulminante do coração. A partir dali, Eliete, hoje com 56 anos, nasceu como "pãe" e teve que fazer o estilo “linha dura” que antes era do pai, dividindo com o seu  lado mais sensível e de quem acobertava os filhos Juliana, hoje com 20 anos, e Ricardo, de 23.

"Era eu quem passava a mão por cima, e aí, muitas vezes, tive que ser a durona, e eu me deparava e pensava: será que é a hora de dizer não? Esse foi o meu maior desafio", confessa.

Juliana Ciszak conta que ainda é difícil viver datas como a de dia dos pais, mas fala como se aproximou da mãe nos últimos anos.

"Eu vejo muitas famílias saindo nessa data e é complicado, porque é algo que eu nunca mais vou ter, mas eu faço sim uma homenagem para minha mãe. Passei muito tempo com ela na minha adolescência, até em vez de sair e ir a festas, eu me tornei muito próxima. Nós três estávamos sofrendo, então a gente se ajudava", relembra.

Apesar do laço criado entre os três, chega o momento de deixar os filhos seguirem os sonhos, mesmo que longe. Estudante de design de moda, Juliana está se preparando para ficar 6 meses em Londres e o irmão, que é produtor musical, mora em Los Angeles. Enquanto isso, a pãe Eliete fica por aqui na torcida e controlando a saudade.

Foto: Airton, Henrique, Guilherme e Marcos na primeira visita dos meninos em dezembro de 2009  / Nara Maia

Em janeiro, também de 2009, o casal de artistas Marcos Antônio Scopel Buffon, 54 anos, e Airton Gonçalves de Oliveira, 55 anos, decidiu que queria tentar a adoção para serem pais. Como não tinham muitas restrições para o perfil das duas crianças desejadas, o processo andou mais rápido e em dezembro daquele ano, José Guilherme, na época de 4 anos, e o irmão, Henrique, de 9, já estavam fazendo a primeira visita. A conexão entre os quatro foi instantânea, como conta Marcos.

"Estávamos no carro, e o Airton disse que teríamos a audiência na segunda-feira. Daí o Henrique disse: então segunda eu posso chamar vocês de pai? E ele falou: pode chamar agora. Foi bem rápido mesmo. Aí o Airton começou a chorar, e eu estava dirigindo, então não podia chorar também. Mas o Henrique começou: pai, pai, pai...". 

Os dois meninos, hoje com 12 e 17 anos, também se sentiram acolhidos logo no início. Henrique, o mais velho, conta que não demorou muito para que quisesse chamar os dois de pai.

"Nunca tinha chamado ninguém de pai, daí perguntei se podia chamar e eles disseram que sim. Aí foi 'pai' toda a hora. Depois da primeira visita, nos sentimos bem, aí a gente quis ficar junto, grudado", relata.

 Já o caçula Guilherme fala que encontrou um passatempo com Marcos.

"Sou mais parecido com ele. Adoramos cozinhar juntos", diz.

As manias foram se encontrando entre cada pai e filho. Um lembra mais o lado bagunceiro, o outro a rigidez com horário. Para Airton, as coisas foram se ajeitando tão bem que é como sempre tivessem sido assim.

"Se passaram 8 anos, mas parece que foi a vida inteira".

No vídeo, Airton, Marcos, Henrique e Guilherme contam quais as "manias" que encontraram em comum em 8 anos como uma família. 

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